10/09/2009 - PERSPECTIVAS PARA O MERCADO IMOBILIÁRIO
Luiz Antonio Scavone Junior (*)
Apesar da crise internacional, somente comparável à quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929, o mercado imobiliário continua vivendo um excelente momento, em que construtoras, incorporadoras e agências de publicidade especializada são unânimes em afirmar que as vendas continuam. Os imóveis sempre foram um refúgio dos investimentos em momentos de crise.
Não é preciso dizer que temos uma enorme experiência nas mais diversas crises e não será neste momento, em que os fundamentos da economia brasileira estão sólidos como nunca, que viveremos uma catástrofe como costumam anunciar os pessimistas de plantão.
Hoje, a situação energética brasileira, a exemplo do petróleo que sempre foi um fator preocupante, é muito confortável. Considere-se, ainda, que temos substanciais reservas internacionais e, para rematar, um enorme mercado interno.
Claro que não se está a afirmar que nada sentiremos. Todavia, a par de o cenário não indicar a simples brisa decantada pelo nosso Presidente, certamente não veremos o furacão propalado nas profecias dos aprendizes de Nostradamus.
Quanto ao mercado imobiliário, o potencial de crescimento para os próximos 4 anos é de 15%. A oferta de crédito para o setor continua em alta e as captações se mantêm no ritmo acelerado.
Para que se tenha uma idéia, até setembro de 2008 os saldos em poupança, destinados ao financiamento habitacional, alcançaram R$ 88,2 bilhões na Caixa Econômica Federal. Em nota oficial, o banco confirma a continuidade da oferta de recursos para financiamento tanto para produção quanto para a comercialização de imóveis.
Assim, a oferta de crédito aliada à nova dinâmica do setor que se profissionaliza e cria diferentes modalidades de “funding” e financiamento, projetam crescimento consistente para o setor.
Certamente haverá algum impacto na velocidade do crescimento, principalmente quanto aos imóveis de alto padrão.
Todavia, os negócios se concentram nos mercados de médio padrão e padrão popular, que muito pouco sentirão os efeitos da crise, notadamente pela continuidade do crédito. Algum efeito certamente será observado em razão do decréscimo do emprego. Entretanto, a situação será momentânea, havendo previsões sérias de retomada a partir do segundo semestre de 2009.
De mais a mais, o planejamento do mercado imobiliário reflete o cenário futuro, dado o tempo necessário para se atingir o lançamento, desde a compra do terreno até a elaboração e a aprovação dos projetos.
Outro ponto interessante para ser abordado é a diferença entre o nosso mercado e o mercado Norte Americano, que disparou a crise global.
Como se sabe, nos Estados Unidos era possível financiar valores que suplantavam a avaliação do imóvel. Todavia, o mercado brasileiro empresta algo em torno de 70% do valor do imóvel, em movimento de proteção do agente financeiro acostumado com as crises que nos assolaram no passado.
Some-se a isto a grande facilidade que existia de o americano refinanciar o seu imóvel, com recebimento direto do dinheiro que utilizava para o pagamento de outras dívidas. No Brasil, o que se vê é o devedor fugir o quanto antes do empréstimo, até em função das elevadas taxas de juros. Por outro lado, não encontra possibilidades amplas de refinanciamento, sem contar que o dinheiro do financiamento é creditado diretamente na conta do vendedor.
Mas o que realmente deflagrou a crise atual foi a intensa “securitização de recebíveis” no mercado americano, ou seja, os créditos decorrentes dos financiamentos transformados em títulos que passaram a circular pelo planeta.
Vamos traduzir: o credor do empréstimo imobiliário nos Estados Unidos cedia seu crédito que era transformado em títulos negociáveis, cujo lastro consistia na capacidade de o devedor pagar o financiamento e no valor do próprio imóvel.
Ocorre que muitos devedores passaram a descumprir seus contratos em função da quase inexistente análise de crédito, fazendo com que uma quantidade enorme de imóveis fossem retomados pelos agentes financeiros.
Entendia-se que o lastro do empréstimo, ou seja, o imóvel, seria uma garantia suficiente.
Não era.
Com uma quantidade muito grande de imóveis retomados no mercado, o preço começou a despencar.
Com isto, aqueles títulos que circulavam perderam o lastro e, como conseqüência, seu valor no mercado, fazendo com que os seus titulares, grandes grupos financeiros internacionais, amargassem pesados prejuízos, deflagrando a crise que se alastrou pelo mundo.
Nada disso ocorreu ou ocorrerá entre nós. O crédito está mantido e o valor dos imóveis não cairá. Dentro desse contexto, as perspectivas são excelentes para 2009, o que é muito bom para o Brasil, que encontra na construção civil uma inesgotável fonte de empregos.
(*) O autor é Advogado, Administrador pela Universidade Mackenzie, Mestre e Doutor em Direito Civil pela PUC-SP, Professor de Direito Civil e Mediação e Direito Arbitral nos cursos de graduação e pós-graduação do Centro Universitário FMU, autor de diversas obras, coordenador e professor do curso de Direito Imobiliário FMU.
Fonte: Diário das Leis
Emaximóvel - A Pioneira do Aluguel Garantido - CRECI: 14523-J - Rua José Antônio Ferreira Prestes, 66 - Centro - Sorocaba - SP - (15) 2101.0900